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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO

05-Fev-2009

 

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               Novidades, curiosidades e atualidades
Não se pode comparar a Aushwitz...


Ao se comemorar os 60 anos da libertação de Auschwitz um pensamento me vem a mente: como se pode comparar o horror de um campo de concentração à construção de um muro de separação com os palestinos? É até fácil entender. Todos protestaram, mas ninguém falou em um pequeno detalhe que separa e difere as duas histórias: na Alemanha nazista os judeus faziam parte da sociedade, até esqueciam que eram judeus. Tinham seus negócios e viviam em paz e prosperidade em suas cidades. Quando o nazismo os apanhou, eles nem acreditavam no que estava acontecendo porque se sentiam e eram alemães. Nunca, em momento algum, quiseram matar alemães ou austríacos, ou explodiram escolas e crianças alemãs ou ônibus alemães. Não mataram ninguém. Faziam parte daquela sociedade, queriam estar e estavam integrados naquela sociedade de maneira produtiva.

No Oriente Médio, os palestinos mataram civis, crianças, trabalhadores em horário de trabalho, mulheres e velhos, explodindo seus corpos e suas cabeças, e deixando seus pedaços cheios de sangue espalhados pela rua e colados nas paredes, para quem quisesse ver. ….Sim, quero estar distante de gente assim. Se são ou não uma pequena parte de um povo bom não me interessaria naquele momento. Quero estar bem separada e por um muro bem alto de gente que explode gente para fazê-los desaparecer do mapa. Mas quero, também e principalmente, estar bem mais longe e bem separada de gente que acha que essa gente que explode gente é a mesma gente que morreu em Auschwitz.

O que levou milhões de judeus, ciganos, negros e outros seres humanos à morte lá, foi a mesma manipulação da informação, o mesmo desconhecimento e a mesma ignorância dos fatos que leva alguma gente, hoje, à pensar que os fatos podem ser comparados.

Antes de dizer que tudo é igual, pense o quanto tudo é diferente.

FS

 

São Paulo, domingo, 05 de setembro de 2004  

 

Quatrocentão oculta origem de cristão novo

DA REPORTAGEM LOCAL

A origem nobre dos primeiros portugueses que chegaram a São Paulo é uma balela. Aqueles que exibem brasão de armas para comprovar nobreza estão mostrando uma fantasia. Quem quiser encarar o historiador Marcelo Meira Amaral Bogaciovas, autor dessas provocações, precisa ter fôlego para mergulhos longos: ele, que tem 52 anos, pesquisa genealogia há 35 anos.
"A maior parte dos que se dizem quatrocentões são judeus convertidos ao cristianismo", diz Bogaciovas -quatrocentão é a forma que os paulistas usam para designar famílias que estão no Estado há 400 anos.
As famílias Cerqueira César, Toledo Piza e Almeida Prado são de cristãos novos.
As provas de nobreza eram falseadas em cartórios portugueses. "Os cartórios eram corruptos. Estavam preocupados com dinheiro, não com correção."

 

NOVA HISTÓRIA

Pesquisadora afirma que a Inquisição pode explicar a fúria das bandeiras de São Paulo contra os jesuítas

Bandeirantes tinham origem judaica

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Os historiadores nunca primaram pelo equilíbrio ao retratar Antônio Raposo Tavares (1598-1658), um dos mais mitológicos bandeirantes. Ou era guindado ao céu como o "bandeirante magno, vulto formidável", segundo a descrição de Affonso Taunay, ou era jogado no inferno como assassino, herege e matador de padres.
A historiadora Anita Novinsky, professora de pós-graduação na USP, reuniu documentos encontrados em Portugal segundo os quais Raposo Tavares teria razões religiosas para queimar igrejas: sua madrasta, Maria da Costa, foi presa pela Inquisição em 1618 sob a acusação de "judaísmo" e só saiu do cárcere seis anos depois.
Em 1496, D. Manuel, rei de Portugal, decretou que os judeus deveriam ser expulsos do país. Só poderiam ficar os que aceitassem a conversão ao catolicismo, chamados de cristãos novos.
Raposo Tavares foi criado até os 18 anos na casa da madrasta, uma cristã nova que seguia a tradição religiosa como "uma judia fervorosa", na definição de Novinsky. A mãe de Raposo Tavares também era cristã nova.
"Há razões ideológicas na fúria dos bandeirantes contra a igreja. Ela representava a força que tinha destruído suas vidas e confiscado seus bens em Portugal", diz Novinsky, autora de oito livros sobre a Inquisição. Raposo Tavares matou jesuítas porque eles eram comissários da Inquisição na América, segundo a historiadora.
Os documentos serão debatidos no simpósio "O Legado dos Judeus para a Cidade de São Paulo", em novembro. O simpósio é promovido pelo Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, da USP, e pelo clube A Hebraica.

Uma outra história
Segundo a nova perspectiva, Raposo Tavares e bandeirantes que atacavam igrejas podem ser vistos como "subversivos", desafiadores da hegemonia católica, na visão de Novinsky. Entre os bandeirantes, eram cristãos novos Raposo Tavares, Fernão Dias Paes e Brás Leme. Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba, matou com um tiro na cabeça o padre Diogo de Alfaro, que tinha sido enviado pela Inquisição para investigar os paulistas.
"A história do período colonial precisa ser reescrita", defende. Os novos documentos mudam as histórias das bandeiras e do Brasil, de acordo com a historiadora.
Os ataques das bandeiras às reduções, áreas em que os jesuítas agrupavam os índios para catequizá-los, ocorreram na primeira metade do século 17. O mais célebre dos ataques foi contra as reduções na região de Guairá, hoje território paraguaio, em 1628. Raposo Tavares teria saído de São Paulo com 900 brancos e 3.000 índios.
Foi nesse episódio que Raposo Tavares fez a sua confissão de judaísmo, na visão de Novinsky. Uma carta de Francisco Vasques Trujillo escrita em 1631 menciona que, ao ser questionado com que autoridade moral os paulistas atacavam os índios, ele responde que era com a autoridade "que lhes dava os livros de Moisés".
O saldo da batalha para os bandeirantes foi a escravização de 2.000 índios que estavam sendo catequizados. Com a expulsão dos jesuítas espanhóis, Portugal ganhou o território onde ficam os Estados do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. A escravização dos índios acabou consagrando a teoria de que os bandeirantes eram movidos por razões econômicas.
O historiador John Monteiro, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), autor de "Negros da Terra: Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo", diz que os documentos reunidos por Novinsky mostram que a razão econômica é insuficiente para explicar os embates entre colonos e jesuítas. Não há dúvida de que ambos lutavam pelos índios para usufruir da mão-de-obra barata. Mas por que os confrontos com os bandeirantes paulistas foram os mais cruentos?
A questão religiosa pode explicar a ferocidade, afirma Monteiro. É uma peculiaridade da colonização de São Paulo que não se repete em outros lugares: "Tenho certeza de que as disputas não eram só econômicas. Passavam por alianças de famílias e pela identidade religiosa".

Fuga para São Paulo
Paulo Prado (1869-1943), o milionário do café e patrono da Semana de Arte Moderna de 1922, foi o primeiro a mencionar a influência dos judeus na São Paulo dos séculos 16 e 17. No livro "Paulística Etc." (1925) ele cita atas da Câmara de 1578 e 1582 que fazem referências a "judeus cristãos".
O isolamento de São Paulo, segundo Prado, levava judeus de Pernambuco e da Bahia a migrar para a cidade: "(...) nenhum outro sítio povoado do território colonial oferecia melhor acolhida para a migração judia. Em São Paulo não os perseguia esse formidável instrumento da Inquisição, que nunca chegou aqui".
Prado não sabia à época que dois cristãos novos que moravam em São Paulo haviam sido executados pela Inquisição: Theotonio da Costa, em 1686, e Miguel de Mendonça Valladolid, em 1731.
No livro que publicou em 1958 sobre Raposo Tavares, o historiador português Jaime Cortesão levantou a hipótese de que o bandeirante era cristão novo e que tivera problemas com a Inquisição.
Onze anos depois, José Gonçalves Salvador, professor aposentado da USP, escreveu o primeiro artigo sobre cristãos novos em São Paulo e sobre a origem judaica de Raposo Tavares.
Havia razões sérias para que cristãos novos escondessem suas raízes judaicas, diz o historiador Paulo Valadares, um dos autores do "Dicionário Sefaradi de Sobrenomes" -sefaradi ou sefaradita é a forma como são designados os judeus da península Ibérica.
"A Inquisição foi uma forma de apartheid. Os que tinham origem judaica tinham de pagar mais tributos e não tinham acesso a certos cargos", afirma Valadares.
Para ingressar em ordens religiosas ou no exército, o candidato precisava provar que não tinha antepassado judeu, árabe, negro ou índio por até sete gerações.
Para ascender, era necessário renegar o passado. A prática era corrente em São Paulo desde sua fundação, em 1554. Segundo Valadares, a mãe de Anchieta era cristã nova e seu trisavô foi queimado pela Inquisição.

Google é acusado de racismo

Corretor de imóveis de Nova York, Steven Weinstock foi fazer uma pesquisa no Google digitando o vocábulo “jew” (judeu) e ficou indignado. O site que encabeçou a lista de resultados foi o Jew Watch, conhecido por seus artigos que acusam os judeus de controlar a mídia mundial e realizar experiências perigosas com a mente humana. Imediatamente, Weinstock promoveu um abaixo-assinado on-line pedindo ao Google que removesse o site de seu index. Dias depois, a lista já contava com mais de 2.800 assinaturas. "O Google é o site top de buscas e o fato de retornar uma página dessas logo de cara fomenta o ódio contra os judeus", escreveu Weistock em sua petição. Porta-voz do Google, David Krane explicou que as respostas apresentadas pelo Google são determinadas por um complexo algoritmo que mede fatores como a popularidade das páginas Web. "Não manipulamos nada e, por isso, não vamos mudar o ranking do Jew Watch. Ele é o primeiro da lista porque é o mais acessado do gênero", afirmou Krane. A iniciativa de Wienstock, porém, pode levar alguns extremistas a lançar uma "bomba digital" contra o Google, que afetaria sua metodologia de buscas e, em conseqüência, eliminaria o Jew Watch de seu ranking.

Fonte: Alef Press

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