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BUSSUNDA , UMA HOMENAGEM AO SEU HUMOR JUDAICO

Alef Mail

Se Bussunda era judeu, por que foi
enterrado no cemitério São João Batista
e não em cemitério judaico ?

José Roitberg, da FIERJ

Bussunda sempre se considerou judeu. Temos uma entrevista dada ao nosso programa de TV que foi ao ar em dezembro de 2003 e irá novamente neste domingo, onde ele conta sua história familiar e sua ligação com o judaísmo, sendo neto de chazan, filho de mãe judia e de pai convertido ao judaísmo aos 20 anos, com circuncisão e tudo. Portanto, judeu de pai e mãe. Pertenceu ao Hashomer Hatzair e Kinderland, participava todos os anos dos jantares de Pessach e Yom Kipur.
Também nos causou muita estranheza a primeira nota do empresário dele, dizendo que Bussunda era um "judeu não praticante, por isso não iria ser enterrado em cemitério judaico", o que é uma asneira completa. O Bussunda têm família, portanto não cabe à comunidade judaica definir onde ele será enterrado. Quando soubemos que iria ser no cemitério São João Batista, com um velório em caixão aberto num ritual totalmente cristão tomamos a decisão de publicar um aviso religioso judaico no jornal O Globo.
Não há como não respeitar os desejos da família dele, mas o pior de tudo foi assistir ao enterro que aconteceu de uma forma "coloca o caixão no túmulo e fecha" sem nenhum tipo de discurso religioso ou laico - ele não merecia isso.
A mesma situação ocorreu em SP na morte do músico Marcelo Fromer. Mas em SP e em Buenos Aires já existem cemitérios judaicos mistos para casais mistos. Pessoalmente acredito que o sepultamento do Bussunda, meu colega de faculdade por 8 anos, num cemitério não judaico, se deveu a esposa dele prever que se ele fosse para um cemitério judaico ela não seria aceita no mesmo local quando falecesse, daqui há muitos anos, espero.


Depoimentos de Bussunda ao programa "Comunidade na TV"

"O apelido Bussunda vem da Kinderland"

"Meus avós vieram da Polônia e minha mãe era judia... Meu pai se converteu ao judaísmo e fez circuncisão com vinte e poucos anos para se casar com ela"

"Quando eu viajo, faço questão de ir a restaurantes judaicos"

"Tenho amigos que sempre me chamam para os jantares de Pessach e Yom Kipur"

"O componente mais forte do humor judaico é você rir de você mesmo"


O Globo - Coluna de Renato Maurício Prado


 

A última piada do humorista judeu                            newsletter FIERJ

Observatório da Imprensa - 20/06/2006

BUSSUNDA (1962-2006)
A última piada do humorista judeu

Por Alberto Dines

Nossas livrarias agora exibem biografias, antigamente eram escondidas, consideradas acadêmicas. Algumas biografias nacionais até tornaram-se best-sellers, mas o nosso biografismo (ou aptidão para reviver vidas) continua claudicante. Sobretudo o biografismo jornalístico, que também se expressa através dos obituários – já que a morte é, ironicamente, uma das oportunidades para desvendar histórias de vida.

Na pressa de registrar aqueles que chegaram à eternidade, enterram-se detalhes importantes, às vezes cruciais dos falecidos. Sobretudo quando se trata de celebridades.

Luiz Weis e Mauro Malin chamaram a atenção neste Observatório para o burocratismo dos títulos das primeiras matérias a respeito da morte do humorista Cláudio Besserman Viana, o Bussunda, e também a ausência de informações sobre a sua família, especialmente a sua mãe, a psicanalista Helena Besserman Viana, conhecida internacionalmente pela bravura em denunciar a conexão do psicanalista Amílcar Lobo com a repressão durante a ditadura. [ver "Um caso de falta de sintonia, três de falta de imaginação" e o tópico "A família Bussunda"].

A informação é relevante, revela o ambiente político onde viveu o humorista. Mas o sobrenome da mãe acrescenta um dado precioso para um futuro Bildungsroman (romance da formação): Helena Besserman, filha de imigrantes judeus, estudou em escolas judaicas do Rio de Janeiro, freqüentou clubes e organizações culturais da comunidade.

História incompleta

Claudinho (como era chamado) ganhou a alcunha que o celebrizou nacionalmente no Kinderland (País das Crianças), a colônia de férias do grupo progressista do judaísmo carioca (que ele freqüentou junto com outros Cassetas). Foi membro do Hashomer, da linha sionista-socialista.

Pode ser que a sua arte de fazer rir tenha sido fabricada pela irreverência carioca, mas outra parte dos seus chistes vem de mais longe – da irrefreável e penosa compulsão de gozar a todos, inclusive a si mesmo, vulgarmente conhecida como "humor judaico".

Não se trata de interpretação post mortem, é uma avaliação dele mesmo, em vida. Bussunda considerava-se herdeiro dos humoristas e comediantes judeus e assumia-se como judeu. Não importa se a matriz era Woody Allen ou Groucho Marx, importa é a condição judaica que jamais escondeu e a forma através da qual ela se manifestou.

É lamentável que este traço marcante da sua biografia tenha sido desconsiderado pelas empresas para as quais trabalhava. Não fosse uma discreta referência na crônica de Luis Fernando Verissimo (O Globo e Estado de S.Paulo, segunda, 19/6) e um comunicado fúnebre da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Bussunda passaria à posteridade com apenas uma parte da sua história revelada.

A outra parte certamente está rindo daqueles que não quiseram conhecê-lo por inteiro.

   

                                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Se você é um judeu vivendo em Portugal ou está apenas de passagem, veja as informações sobre eventos sociais e culturais judaicos no site da CIL-Comunidade Israelita de Lisboa.