NOSSA RESPOSTA (17/1/2003) , A
QUE NÃO FOI ENVIADA PELA FIERJ APESAR DE NOSSA SOLICITAÇÃO POR
TERMOS SIDO CITADOS EM SEU E-MAIL E INFORMATIVO.
SR. OSIAS, NÃO FOI
ENVIADA AO SITE FanyZINE NENHUMA "RESPOSTA" EM RELAÇÃO AO
MEU ARTIGO, ATÉ PORQUE NÃO ENVIEI MEU ARTIGO AO AUTOR. ELE FOI
ESCRITO PARA OS JUDEUS NÃO PARA ELE. MEU ARTIGO É DIRECIONADO
AOS JUDEUS E FALA PRIORITARIAMENTE SOBRE PRECONCEITO E SOBRE COMO DEVEMOS,
SEMPRE, ESTAR ATENTOS A ELE MESMO NAS FORMAS MAIS SUTIS.
SÓ ESTOU TOMANDO
CONHECIMENTO DO QUE O AUTOR SUPOSTAMENTE "ME" ENVIOU, ATRAVÉS
DESTE SEU E-MAIL (veja
abaixo) E, APÓS
LER, CREIO QUE A EMENDA FICOU PIOR QUE O SONETO. SE ELE NÃO SE
DEU CONTA DE TUDO AQUILO QUE ESCREVEU, É PORQUE OS PRECONCEITOS E
CLICHÊS AOS QUAIS MEU ARTIGO SE REFERE JÁ ESTÃO TÃO
ENRAIZADOS NO AUTOR QUE ELE NEM SE DEU CONTA DE QUE OS ESTAVA USANDO
EM SEUS PERSONAGENS.
TUDO O QUE O AUTOR
DESCREVEU NÃO É MAIS DO QUE O OBVIO, ELE SÓ REPETIU DESCRITIVAMENTE
AS CENAS VISTAS NA NOVELA.
O QUE ME LEVOU A ESCREVER
O ARTIGO FOI, SIM, A FORMA COM QUE OS FATOS APRESENTADOS NAS CENAS E
AS MUDANÇAS NO COMPORTAMENTO DOS PERSONAGENS FORAM DELINEADOS. COMO,
DE MANEIRA SUTIL, OS PRECONCEITOS HISTÓRICOS ESTÃO PRESENTES EM TUDO ISSO. E
ISTO, É INEGÁVEL NA NOVELA.
NÃO VEJO, PORTANTO FINAL
FELIZ NENHUM EM SABER QUE QUE UM AUTOR NOS COLOCA NA TV DIANTE
DE MILHÕES DA
MANEIRA COMO FOMOS COLOCADOS E NEM SE DÁ CONTA DISSO! ISTO EMBASA
MAIS AINDA MEU ARTIGO, E TORNA AINDA MAIS PREOCUPANTE O FATO
DE SABER O QUANTO NINGUÉM SE DÁ CONTA DAS SUTILEZAS DO RACISMO, DO
PRECONCEITO E DO PERIGO DA CONTEMPLAÇÃO PASSIVA A ISSO TUDO.
Fany S.
Ps.: AGUARDO A PUBLICAÇÃO
DE MINHA RESPOSTA DA MESMA FORMA COMO FOI PUBLICADO ESTE E-MAIL DO
AUTOR. COMO ESTE TEXTO NÃO FOI ENVIADO AO SITE FANYZINE, NÃO
TENHO O E-MAIL DELE PARA RESPONDER DIRETAMENTE.
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E-MAIL ENVIADO PELA FIERJ COM A
RESPOSTA (pouco convincente) DO AUTOR (16/1/2003)
----- Original Message -----
Sent: Thursday, January 16, 2003 8:06 PM
Subject: FINAL FELIZ PARA A NOVELA ESPERANÇA
FINAL FELIZ
Sensível às preocupações da comunidade judaica sobre o desenrolar da
trama
da novela Esperança, no que se refere aos personagens judeus, o autor
da
novela, Walcyr Carrasco, responde pessoalmente aos brasileiros judeus de
todo o país.
PREZADOS SENHORES
Atualmente escrevo a novela "Esperança" e
li no seu site uma denuncia a
respeito de supostas atitudes anti semitas na novela. Quero responder não
só
como escritor, mas como alguém em cuja vida os amigos judeus foram
importantissimos desde a adolescência. E mesmo minha carreira não
seria a
mesma sem a ajuda dos grandes amigos judeus que possuo. Tanto que na
novela
Xica da Silva cheguei a colocar um casal judeu perseguido pela Inquisição.
Portanto, mais do que tudo, a denúncia me magoa pessoalmente. Gostaria,
assim, de frisar alguns pontos:
- nesta nova fase, eu mesmo coloquei um casal judeu
fugido da Alemanha
após a morte do irmão da mulher no conflito com um grupo de nazistas.
A fuga
com dinheiro se deveu ao fato deles realmente terem conseguido fugir a
tempo. Essa senhora encanta-se pela qualidade artistica do pianista
Genaro
(Raul Cortez), e organiza com ele uma série de concertos, o que confere
ao
artista, pela primeira vez na vida, a qualidade de um grande
concertistas.
Esses concertos são justamente em homenagem ao irmão dela. Ou seja, o
conflito com os nazistas em ascensão e o notório apoio da comunidade
judaica
às artes foi reforçado através de um dos protagonistas da novela, o
grande
ator Raul Cortez.
- a personagem de Tzipora, mãe de Camilli, várias
vezes tem falado dos
pogrooms na Russia, que martirizavam a comunidade judaica.
- vários personagens, como Jonathan e Ezequiel tem
falado do sonho de
criar uma pátria judaica, que já surgia na época. E da necessidade
disso,
para que os judeus deixem de ser perseguidos.
- a perseguição dos judeus pelos integralistas no
Brasil foi mostrada em
pelo menos duas situações: uma, em que a casa de Camilli foi atingida
por
pedradas. Outra, em que ela foi perseguida por integralistas na rua.
Houve
também uma outra, com integralistas perseguindo um judeu à noite, e
Jonathan
se escondendo. Como sabemos, um dos principios dos integralistas era a
perseguição aos judeus.
- vamos agora ao personagem de Camilli. Em nenhum
momento ela foi
mostrada como vilã. Mas como mulher ferida, abandonada pelo homem que
ama e
a quem se dedicou. Camilli, antes de tudo, é um ser humano. Qual a
mulher
que depois de se sacrificar por um homem e ser rejeitada não tenta
reconquistá-lo, não faz coisas das quais se arrepende? Quanto à questão
da
fábrica, Camilli de fato fez as operárias trabalharem horas a mais.
Era uma
questão da época, porque justamente nessa época histórica que os
operários
discutiam o respeito ao horário de trabalho e pagamento de horas
extras.
Isso a faz, simplesmente, uma pessoa da época. E porque ela luta para
salvar
a fábrica? Porque hipotecou a casa e a loja do pai. Há um sentido
humano em
tudo isso. Ela luta por sua familia, e teme a perseguição no Brasil.
Grandes
fortunas foram construidas na época justamente com as tecelagens. E
começaram sim, como a de Camilli...com economias pessoais, hipotecas e
muito
trabalho.
- o que é preciso ver é que a novela fala da trajetória
dos personagens.
Não de cenas isoladas. O fato de Camilli hoje estar ferida e pedir para
Samuel ajuda-la em seu projeto de vingança não quer dizer que vá
levar a
vingança até o fim. Estamos sim, dando uma dimensão humana a ela. Mas
quero
contar que tanto o final de Camilli como o de Samuel será de extrema
humanidade, de extrema generosidade.
Tenho certeza de que ao final da novela, ao contrário
da denúncia feita
pelo site, muitos brasileiros terão passado a ter consciência da
perseguição
aos judeus já nos anos anteriores à segunda guerra.
Um abraço sincero
WALCYR CARRASCO
(texto enviado ao site fanzyne)
(OBSERVAÇÃO- NÃO FOI
RECEBIDO POR NÓS)
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